Arquivo mensal: novembro 2012

Artigo publicado na seção Debates/Tendências, Folha de São Paulo, de 28.11.2012

Um ataque à democracia na universidade

Surgiram, nos últimos dias, notícias de crise e de intensas discussões na PUC-SP. Como professores que trabalham há muito tempo na instituição, gostaríamos de esclarecer alguns pontos e de manifestar nosso apoio à mobilização e às atividades de protesto realizadas por professores, alunos e funcionários.

A movimentação é reação à nomeação da professora Anna Maria Cintra – cujos méritos acadêmicos e administrativos não são objeto de questionamento – por dom Odilo Scherer à função de reitora, embora ela estivesse ocupando o terceiro lugar da lista tríplice dos candidatos eleitos pela comunidade da PUC.

Sabemos que o estatuto da PUC-SP dá ao grão-chanceler a possibilidade legal de escolher na lista qualquer um dos três candidatos.

No entanto, em mais de 30 anos de eleição direta para reitor na PUC-SP, o candidato mais votado sempre foi escolhido, em respeito à vontade majoritária da comunidade.

Essa tradição é tão forte que os três candidatos, em assembleia realizada no Tuca em 13 de agosto de 2012, se comprometeram por escrito em não aceitar a nomeação à reitoria se não obtivessem o primeiro lugar, uma promessa que a professora Anna Cintra descumpriu.

A nomeação da terceira pessoa por dom Odilo fere a tradição de reconhecimento da vontade democrática; não questionamos sua legalidade, mas a sua legitimidade, garantia de relações harmoniosas entre a autoridade eclesiástica e a liberdade acadêmica da universidade.

Essa nomeação significa um ápice nas transformações das relações entre a PUC-SP e sua mantenedora, a Fundação São Paulo (figura jurídica da Arquidiocese de São Paulo).

Há pelo menos três décadas (das seis de existência da PUC-SP), essas relações vêm sendo regidas por uma espécie de acordo de convivência e mútuo respeito. Porém, desde aproximadamente o ano de 2005, parece que um impacto ameaça o pacto.

Em nome de urgentes mudanças na gestão administrativo-financeira da PUC-SP, a Fundação São Paulo, sua mantenedora, vem expandindo sua esfera de autoridade, atingindo o âmbito propriamente acadêmico e reduzindo, consequentemente, o poder dos órgãos democráticos da instituição, especialmente o Conselho Universitário -relegado praticamente a mero papel de consulta.

Ademais, um cálculo extremamente rígido de horas/aulas levou à necessidade de um número maior de cursos para os docentes completarem seu contrato, acarretando sobrecarga do trabalho, o que induziu vários colegas excelentes a abandonar a PUC-SP, cada vez mais entregue à mercantilização do ensino.

Trabalhamos na PUC-SP há mais de 30 anos. Apesar das inúmeras crises, em particular financeiras, escolhemos sempre continuar a trabalhar aí porque, ao lado de sua excelência acadêmica, ela encarna valores de liberdade e de justiça social e demonstra um invejável relacionamento universitário entre os diversos departamentos e colegas.

Lembramos com orgulho da atitude da primeira reitora eleita pelo voto direto, dona Nadir Kfouri, amparada no apoio majoritário da comunidade e na presença do grão-chanceler dom Paulo Evaristo Arns, que rechaçou com coragem intervenções autoritárias durante a ditadura militar e acolheu na PUC muitos professores excluídos pelo AI-5 de universidades públicas, como Bento Prado Júnior e José Artur Giannotti.

Achamos até hoje que o trabalho universitário não se caracteriza só pela qualidade da pesquisa e do ensino, mas também numa discussão ampla, crítica e exigente da realidade política, social e cultural do país.

Sabemos que há muitas distorções, administrativas, didáticas e pedagógicas a corrigir na PUC-SP, mas as falhas não justificam uma intervenção cada vez mais autoritária, mesmo sob o manto da “legalidade”.

Reiteramos, portanto, nosso apego à tradição acadêmica democrática e crítica da PUC-SP. Lutaremos para que ela possa continuar a ser sua marca -que atrai até hoje a maioria dos seus alunos, comprometidos na construção democrática do país.

CARLOS-ARTHUR RIBEIRO DO NASCIMENTO, 75, é professor titular de filosofia na PUC-SP e na Unicamp. 
JEANNE MARIE GAGNEBIN, 63, é professora livre-docente da Unicamp e titular de filosofia da PUC-SP. 
SALMA MUCHAIL, 72, é professora titular e emérita do Departamento de Filosofia da PUC-SP. 

Anúncios

Aulas Públicas (26 a 28 de novembro)

Vincent Van Gogh, La Vigne Rouge. Novembro de 1888

Vincent Van Gogh, La Vigne Rouge. Novembro de 1888

Segunda-feira (26/11) – sala 134C 

17h – Celso Favaretto e Zé Miguel Wisnik 

20h – João Adolfo Hansen

Terça-feira (27/11)

16h Exposição do filme  Pensamento em cena – Trilogia Tebana, com Fabiane Serrone (sala 134C)

19h30 – Paulo Arantes e Plínio de Arruda Sampaio Jr.   – Quadra da PUC ou auditório 333, em caso de chuva. 

Quarta-feira (28/11) 

17h às 19h30 Ato Estadual em Defesa da Autonomia Universitária, com a presença de Vladimir Safatle. Vão do Masp. 

carreata/passeata até o campus da Monte Alegre  

20h30 – Marilena Chaui – Encerramento – Auditório 333

Colóquio de Filosofia, Ética e Política

Frontispício da 1ª edição, de 1651, do Leviatã, de Thomas Hobbes. Vê-se o soberano que, do alto, domina a terra, as cidades e seus habitantes. Seu corpo é composto dos indivíduos que voluntariamente aderiram ao pacto social. Nas mãos, ele segura a espada e o cetro, símbolos dos poderes terreno e divino, respectivamente. Acima dele, uma inscrição tirada do Livro de Jó: “Não há sobre a terra poder comparável ao dele.”

O Colóquio de Filosofia, Ética e Política organizado pelo Depto de Filosofia será inserido (apenas as mesas programadas para os dias 22, hoje e 23, amanhã) nas atividades – aulas abertas – previstas no calendário de atividades da GREVE GERAL de funcionários, alunos e professores.

Em função da paralisação, alguns canais de divulgação estão interrompidos e por vezes as notícias chegam tarde demais ou fragmentadas.

Além disso, diante da deflagração da greve dos três setores da PUC-SP (professores, estudantes e funcionários), e da urgência de que esta mobilização não se caracterize apenas pela paralisação do calendário acadêmico, mas por atividades que exijam pensar a nossa condição, expondo, ademais, o pluralismo de ideias que caracteriza a história e o cotidiano da PUC-SP, propõe-se o conjunto de mesas e aulas-públicas “Filosofia, Ética, Política”, preparatórias à comemoração dos 105 anos do curso de Filosofia na PUC-SP.

Mesas redondas e aulas públicas
Filosofia, Ética, Política
Auditório 333 e Sala P65

Dia 22 de novembro.

14h30 -16h: mesa redonda – Ética e Política
Prof. Ms. Dalva Garcia
Prof.a Dra. Silvia Saviano Sampaio
Prof. Dra. Yolanda Gloria G. Muñoz
Mediação: Prof. Dra. Maria Constança Peres Pissarra

16h – 16h30 intervalo

16h30 – 18h: mesa redonda – Justiça e legitimidade
Prof. Dr. Antônio José Romera Valverde
Prof.a Dra. Maria Constança Peres Pissarra
Prof. Dr. Sonia Campaner M. Ferrari
Mediação: Prof. Dra Silvia Saviano Sampaio

19h Aula-Pública – Sala P65
Prof.a Dra. Jeanne Marie Gagnebin – Ricoeur, sobre memória e história.
Prof. Dr. Peter Pál Pelbart – Toni Negri e a leitura do Livro de Jó
Mediação: Prof. Dra. Yolanda Gloria G. Muñoz

Dia 23 de novembro.

14h30 – 16h. Conversas sobre cinema, filosofia e política. CORREÇÃO: A mesa será às 16h00 no auditório 333.

Prof. Dr. Cassiano Terra
Prof. Ms. Carlos Motta
Prof. Dr. Jonnefer F. Barbosa
Prof. Dr. Vinícius Nicastro Honesko
Mediação: Prof. Dra. Sonia Campaner M. Ferrari

19h – Aula pública – sala p-65
Prof. Dr. Carlos Arthur Nascimento – A universidade medieval. 

Prof.a Dra. Salma Tannus Muchail – Parrésia, filosofia e política.

Mediação: Prof. Dr. Jonnefer F. Barbosa. 

Imagem tirada da Internet. Não foram encontradas informações sobre a autoria, para creditá-la. Caso a encontrem, agradecemos a gentileza por avisar.

IV Colóquio do Grupo de Pesquisas em Ética e Filosofia Política

Barricades de la Commune. Abril de 1871. Pierre-Ambrose Richebourg

Barricades de la Commune. Abril de 1871. Pierre-Ambrose Richebourg

IV Colóquio do Grupo de Pesquisas em Ética e Filosofia Política
Cronograma de desenvolvimento das atividades
21 a 23 de novembro de 2012
PUC-SP – Campus Monte Alegre
Auditório 333

Dia 21 de novembro. Tema: Ética e Liberdade

14h30-16h -mesa redonda

prof.a Dra. Yolanda Gloria G. Muñoz – Cenários greco-romanos e imagem de si

prof.a Dra. Silvia Saviano. Sampaio – Tragédia Antiga e Moderna

Moderador: Prof. Dr. André Yazbek

16h30-18h – mesa redonda

prof. Dr. Andre Constantino Yazbek – O debate do marxismo em Jean-Paul Sartre e Louis Althusser: estrutura e liberdade

prof. Dr. Carlos Eduardo Meirelles Matheus – Liberdade e igualdade: incompatíveis?

Moderadora: Prof. Dra. Maria Constança Peres Pissarra

Dia 22 de novembro. Tema: Justiça e Legitimidade

14h30 -16h: mesa redonda

prof.a Dra. Dulce Mara Critelli – Rupturas Totalitárias

prof.a Dra. Maria Constança Peres Pissarra – A legitimidade democrática

Moderador: prof.a Dra. Silvia Saviano Sampaio

16h – 16h30 – intervalo

16h30 – 18h – mesa redonda

prof.a Dra. Sonia Campaner M. Ferrari – A tese da igualdade das inteligências e a hipótese comunista

prof. Ms. Hermes da Fonseca. Qual comunismo? A hipótese comunista de Alain Badiou e Slavoj Žižek

Moderador: Prof. Dr. Jonnefer F. Barbosa 

19h – Conferência

Saberes e Poderes na contemporaneidade: a visão em paralaxe nas esferas antropotécnicas

Prof. Dr. Sérgio Bairon (Universidade de São Paulo)
Moderadora: Prof. Dra. Sonia Campaner M. Ferrari

Dia 23 de novembro. Tema: Política e Violência 

14h30-16h: mesa redonda

prof.a Ms. Dalva Garcia – Memória e representação do encarceramento: Dostoievsky e Graciliano Ramos

prof. Dr. Jonnefer F. Barbosa – Interpretações contemporâneas da crítica da violência de Walter Benjamin

prof. Dr. Vinicius Nicastro Honesko – Memória, imagem, violência: Giorgio Agamben e Georges Didi-Huberman, leitores de Walter Benjamin

Moderador: Prof. Ms. Hermes da Fonseca

19h conferência

Filosofía política y educación
Prof. Dr. Carlos Ruiz (Universidad de Chile)
Moderadora: prof. Dra. Yolanda Gloria G. Muñoz

página oficial do evento, com informações para inscrição http://www.pucsp.br/gtetica/programacao.html

Conferência do Prof. Márcio Alves da Fonseca na Maison de l’Amérique Latine – Paris

O professor Márcio Alves da Fonseca, do departamento em Filosofia da PUCSP, ministrou a conferência “Max Weber et Michel Foucault. Des convergences das une ontologie du présent”, no último dia 6 de novembro, na Maison de l’Amérique Latine, na capital francesa. O evento, que contou com a participação dos professores Frédéric Gros (Université Paris-Est Créteil), Emmanuel Péhau (Université Paris 8) e Ana Gondrona (UBA), foi organizado pelos Departamentos de Filosofia das Universidades de Paris 8 e Paris 7.