Arquivo mensal: junho 2012

III Encontro “Origens da Filosofia Contemporânea”

O III Encontro de Estudos das Origens da Filosofia Contemporânea acontecerá nos dias 25, 26, 27, 28 e 29 de junho de 2012, na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, na sala 100-A (auditório Ricardo Sayeg), primeiro andar – Edifício Bandeira Melo.

Promovido pelo Departamento de Filosofia, pelo Programa de Estudos Pós-Graduados em Filosofia e pelo GT Origens da Filosofia Contemporânea, o III Encontro reunirá pesquisadores de diversas instituições brasileiras.

Para a programação completa e outras informações: https://sites.google.com/site/origensfilcontemporanea/home/iii-encontro-2012

 

Colóquio Internacional Tricentenário de Jean-Jacques Rousseau

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Por ocasião do tricentenário do nascimento de Jean-Jacques Rousseau, em 2012, várias comemorações terão lugar em diversos países, sob os auspícios da Société Jean-Jacques Rousseau de Genève, contando também com o apoio da Voltaire Foundation (Oxford), do Institut et Musée Voltaire (Genève), além de centros de pesquisa de numerosas universidades. Nesta ocasião, será lançada, pelas Edições Garnier, de Paris, uma edição do tricentenário das obras completas de Rousseau, da qual farão parte, como membros da equipe de editores, os professores brasileiros Maria Constança Peres Pissarra, da PUCSP, Luiz Fernando Franklin de Matos, da USP, Maria das Graças de Souza, da USP e Ricardo Monteagudo, da Unesp.

Os departamentos de Filosofia da PUCSP e da USP estarão associados a estas comemorações.

O colóquio “Rousseau 300 anos” será realizado na PUCSP e na USP, contando com especialistas da obra de Rousseau do Brasil e do exterior, de 17 a 21 de setembro de 2012.

Informações e Inscrições: http://www.pucsp.br/rousseau300anos/eventos.html

14º Encontro Internacional sobre Pragmatismo

14º Encontro Internacional sobre Pragmatismo – Rumo ao Congresso Internacional do Centenário de Charles S. Peirce em 2014/Universidade de Lowell – EUA acontecerá de 5 a 8 de novembro de 2012 na PUCSP.

O evento é organizado pelo Centro de Estudos de Pragmatismo (CEP) da PUC-SP e tem sido considerado uma das mais importantes referências internacionais na exposição de pesquisas, realização de debates e divulgação de trabalhos sobre a corrente filosófica denominada pragmatismo, com ênfase no pragmatismo clássico nascido no século dezenove nos Estados Unidos, não obstante contemplando, também, suas abordagens contemporâneas. De outro lado, os Encontros têm promovido um fértil diálogo com a História da Filosofia nas áreas de metafísica, epistemologia, lógica, filosofia da linguagem e semiótica, ética e estética.

Neste ano de 2012, o 14º Encontro Internacional sobre Pragmatismo contará com a presença de alguns dos mais importantes filósofos e pensadores atuais da tradição pragmatista, bem como muitos dos mais renomados estudiosos da obra de Charles S. Peirce, inaugurando as atividades de trabalho para o Congresso Internacional dos 100 anos de falecimento de Peirce, que ocorrerá na Lowell University em 2014.

Mais informações: http://www.pucsp.br/pragmatismo/encontros_intern_pragmatismo/index.html

Vestibular de Inverno – Filosofia PUCSP

ImageDe 14.05 a 12.06.2012 estarão abertas as inscrições para o vestibular do curso de Filosofia da PUCSP. Inscrições no sítio www.vestibular.pucsp.br

As provas ocorrerão no dia 17.06.2012, com a divulgação dos resultados no dia 22.06.2012. Obras literárias indicadas no vestibular de inverno da PUCSP:

:: Antologia Poética (com base na 2ª. edição aumentada) – Vinicius de Moraes
:: Capitães da Areia – Jorge Amado
:: O Cortiço – Aluísio de Azevedo
:: Dom Casmurro – Machado de Assis
:: Vidas Secas – Graciliano Ramos

A Filosofia e o mercado de consumo editorial – Entrevista com Jeanne Marie Gagnebin (Inédita)

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Zane Mairowitz e Robert Crumb

Leia aqui a íntegra da entrevista dada pela professora Jeanne Marie Gagnebin, do departamento de Filosofia da PUCSP, ao jornalista Marcio Aquiles, da “Folha de São Paulo”. Trechos desta entrevista foram publicados no artigo “Publicações decodificam alta erudição para leigos”. “Folha de S. Paulo” de 05/06/2012. “De olho no público não especializado, obras usam referências do universo pop para debater Freud e Jung.”

M.A. – Como professora e pesquisadora, você acha válida a publicação de obras que, de uma maneira ou de outra, possibilitam ao público leigo acesso a autores (ou teorias) muitas vezes cifrados ou herméticos demais para não especialistas? (Ex. “Casos Filosóficos”, de Martin Cohen; “Passeio pela Antiguidade”, de Roger-Pol Droit, “Filosofia Sentimental: Ensaios de Lucidez”, de Frédéric Schiffter; “Entendendo Freud: Um guia ilustrado”, de Richard Appignanesi, graphic novel.)

M.A. – Obras didáticas deste tipo tem potencial para despertar o interesse do público pelos textos originais dos autores contemplados. No entanto, há o risco natural de distorções ou simplificação excessiva. Como você vê este fenômeno editorial? Em um país com boa parte da população inculta, acha que este tipo de livro poderia ser um primeiro passo para popularizar, na medida do possível, alguns autores/teorias/conceitos?

J.M.G – Não conheço nem li nenhum dos livros da lista que v. cita. Só conheço o nome de Roger Pol-Droit que tinha uma coluna no Le Monde, nem sei se ainda tem. Portanto, vão aí algumas observações mais gerais que talvez não possam dizer respeito a estes livros citados.

Primeira observação: há um fenômeno mercadológico em torno da filosofia atualmente. No Brasil, suscitado em parte pela volta da filosofia ao Segundo Grau e pela necessidade de profissionais nessa disciplina. Em geral porque filosofia e psicanálise tendem a substituir, habitualmente de maneira pouco genuína, outras concepções do mundo como a religião (cristã em particular) que ofereciam um quadro de referências ditas estáveis. Como muitas dessas religiões tradicionais  entraram em crise, há um surgimento de religiões de substituição (em particular as assim chamadas seitas) e de teorias gerais de substituição sobre o sentido do mundo e da vida pessoal. E já que muitos filósofos também colocaram essas questões, eles são apresentados como novos guias ou mesmo gurus, muitas vezes a despeito dos questionamentos mais complexos presentes em suas obras.

Há talvez também um certo tipo de “revanche”: pegar obras que têm a fama de complicadas e tratá-las de maneira “popular” ou “vulgarizá-las”, para mostrar que esses filósofos não dizem nada de tão transcendente e complicam por complicar. Existe um ressentimento anti-intelectual muito na moda (por exemplo, a figura de Michel Onfray na França). No Brasil, prefiro não polemizar com vários jornalistas e colunistas!

Isso posto, vamos ser claros: a coisa mais difícil do mundo é escrever uma boa obra que torne um pensamento complexo acessível sem simplificá-lo, mas mostrando por que ele é tão complexo, isto é, quais são as verdadeiras questões na fonte dessa complexidade. Não se escreve, pois, complicado pelo prazer da complicação, mas pela complexidade do problema tratado. Quando conseguem apontar para essas questões que motivaram o pensamento, esses livros podem ser didáticos, sim. Quando transformam um pensamento vivo e complexo em mais um produto de consumo, não servem para muita coisa além de fazer dinheiro!

Exemplos felizes nesse gênero: os livros de Gérard Lebrun sobre O Poder ou sobre Blaise Pascal, na editora Brasiliense, ou os livros  de A. Damásio sobre o cérebro (não só a filosofia é complicada… nosso cérebro também!).  Como por acaso, os autores são grandes especialistas que conseguem deixar o estilo exclusivo do diálogo com outros especialistas e adotar outro estilo, mostrando para “leigos”, como v. diz, de que se trata.

Aliás, a palavra  “leigo” remete a um vocabulário religioso! Não gosto muito dela, tampouco gosto de “cifrados”, “herméticos” ou mesmo “especialistas”. Evitaria também afirmar simplesmente que vivemos num país com uma grande população “inculta”, porque isso pode reduzir o conceito de cultura a um conjunto muito fetichizado de obras, acessível só a uma assim chamada “elite”, mas não diz respeito à verdadeira cultura, que é uma atitude simbólica e transformadora mais ampla, presente em “boa parte da população”, mesmo que nem sempre notada e reconhecida. Vivemos num país no qual a educação pública foi arrasada, a memória coletiva silenciada e no qual  questionamentos críticos são sempre tidos como perigosos ou subversivos. São processos de repressão social e cultural, em particular através do consumo, que não levam em consideração a imaginação e a ousadia, forças presentes em todas as camadas da população, mas muitas vezes soterradas.

Nesse contexto, quando esses livros  entregam mais uma mercadoria pronta para o consumo dito cultural, eles não são bem-vindos; eles perpetuem o fosso entre a assim chamada alta cultura e as experiências de pessoas que não tiveram, por falta de condições econômicas, familiares e de tempo, o privilégio de compreender que a cultura “clássica” não fala de coisas necessariamente esquisitas e refinadas, mas tenta falar com  paciência, precisão e sutileza  – muitas vezes sem resolver os problemas como se pede apressadamente! – de processos e de experiências que  dizem respeito a todos. Clássico não quer dizer “erudito”, mas sim universal. Agora, paciência, precisão e sutileza (tanto em João Gilberto quanto em Aristóteles ou em Proust!) são qualidades que não dão lucro, mas pedem tempo, exercício, dúvida, tudo isso vai contra a voracidade e o consumismo do “fast food” (que produz lucro e colesterol!). Por isso eu diria que quando um livro nos faz acreditar que resolvemos ou entendemos rapidinho (seja Freud, Jung, ou o mundo), geralmente ele nos engana sob a aparência da solução pronta. Quando um livro muda nosso olhar e nossa apreensão da realidade, nos dá vontade de continuar mudando, ele nos abre outras possibilidades de viver, de sonhar e mesmo de agir, ele é um livro que leva a outros horizontes e, muitas vezes, a outros livros e outras obras. Ele não encerra a cultura num produto pronto para ser consumido ou ostentado, mas desperta o olhar e suscita um processo de questionamento e diálogo (é assim que a filosofia se definiu com Sócrates) que nunca para e contribui para uma “tradição” ou uma “transmissão” viva.

Observação sobre “graphic novel”: se for uma obra inovadora enquanto “graphic novel”, isto é, se levar a sério as possibilidades da própria técnica e arte,  e não for simplesmente uma falsa ilustração simplificadora, por que não? Exemplo: o Kafka de Robert Crumb o os diários “existencialistas”  de Fábio Moon & Gabriel Bá (Daytripper).

Jeanne Marie Gagnebin, professora titular do departamento de Filosofia da PUCSP, é autora de “História e Narração em Walter Benjamin” (Ed. Perspectiva)  e “Lembrar, escrever, esquecer” (Ed. 34).

Cátedra Foucault na PUCSP

Revista Cult n. 168

Exclusivo: SP irá receber Cátedra Foucault no segundo semestre

Sediada na PUC, ela irá disponibilizar gravações dos 13 cursos que o filósofo francês deu no Collège de France

Michel Foucault (1926-84), filósofo francês considerado um dos maiores pensadores do pós-guerra, ensinou no Collège de France de janeiro de 1971 até sua morte, em junho de 1984, ocupando a cátedra de História dos Sistemas de Pensamento.

Nesta instituição, os professores devem expor a cada ano uma pesquisa original em forma de curso, o que os obriga a sempre renovar o conteúdo do seu ensino: “Nos cursos, nada é fixo e tudo está em movimento”, afirma Guillaume Le Blanc, professor na Universidade de Bordeaux.

Ao final, totalizaram 13 cursos ministrados pelo pensador, e seus conteúdos foram conservados graças a gravações em fitas cassete realizadas por seus alunos.

O Collège de France oferece aos pesquisadores o conjunto das gravações dos cursos que ele preserva e cedeu cópias de todas as gravações para a Biblioteca da Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP), a única no mundo a receber tal material:

“A concessão das gravações para a PUC-SP é objeto de um acordo entre as duas instituições e não estão previstos outros acordos atualmente”, afirma Claire Guttinger, responsável pelos arquivos da instituição francesa.

A previsão é de que os áudios estejam disponíveis para consulta a partir do segundo semestre de 2012.

Leia abaixo a entrevista concedida à CULT por Guillaume Le Blanc, organizador também do livro Foucault au Collège de France – Un Itinéraire (Foucault no Collège de France – Um Itinerário, Presses Universitaires de Bordeaux, 2003).

CULT – São Paulo é hoje um centro de referência sobre o filósofo?

Guillaume Le Blanc – A cidade de São Paulo sempre exerceu uma forte atração sobre o pensamento francês e, em contrapartida, os pensadores franceses tem frequentemente uma segunda vida no Brasil e, especialmente, em São Paulo.

Penso em Lévi-Strauss e tenho o sentimento de que o trabalho feito sobre Foucault e com Foucault em São Paulo faz com que, desde já, a cidade funcione como um centro de referência para as novas aplicações do filósofo.

O projeto de uma Cátedra Foucault na PUC vai nesta direção. O que está em jogo é criar novas relações entre as áreas de pensamento e intensificar as relações no interior destas áreas.

Ao se conjugar Foucault com Deleuze e Guattari, pode-se dizer que o que está em jogo é a invenção das formas do pensamento contemporâneo, reduzindo todos os rizomas vinculados a essas formas e às áreas que as abrigam. São Paulo parece participar dessa invenção.

Qual a importância dos áudios para o estudo de seu pensamento?

Acho que se deve ler os cursos como laboratórios de pensamento em ação, como estranhos mecanismos que testam hipóteses. Lá onde os livros nos dão a ilusão do traço definitivo, os cursos fazem reaparecer o pensamento no estado de esboço.

Nos cursos, nada é fixo e tudo está em movimento. Se a filosofia de Foucault é uma caixa de ferramentas a ser usada por qualquer pessoa, as ferramentas são fabricadas nesta forja que é o curso no Collège de France.

Ao lermos os cursos, nos damos conta, melhor que nos livros, da aceleração vertiginosa das hipóteses. Tão logo a hipótese da biopolítica é testada em 1976, a locomotiva se acelera e Foucault passa à hipótese da governamentalidade, que mal tem tempo de se estabilizar, pois logo se inicia o estudo sobre os gregos e sobre a hipótese do governo de si, com novas hipóteses sobre o dizer verdadeiro, a espiritualidade.

É como se nos situássemos numa locomotiva que acelerasse o pensamento, como se Foucault impusesse urgência a si próprio, a partir da qual seria pertinente tomar a palavra.

Essa tomada de posição não é isenta de riscos, testa uma hipótese que ela não hesita em rejeitar no decorrer do percurso, como no curso de 1976 “É preciso defender a sociedade”, no qual se pergunta se o poder pode ser interpretado como guerra social.

É significativo o fato de que Foucault, para explorar uma concepção não econômica do poder, se pergunte se a economia do poder reconduz à guerra e rejeite essa hipótese após uma análise genealógica que conduz, do lado do pensamento inglês do século 17, ao pensador da soberania, Thomas Hobbes, e aos historiadores ingleses da conquista.

Foucault abandona essa hipótese, mas foca na figura da guerra social e, assim fazendo, descobre a importância do tema da guerra social como modo de governar uma sociedade, tema que se ampliará para a Revolução Francesa. Esse tema encontrará novo vigor, uma vez que o inimigo será identificado a partir de seus traços biológicos, na perspectiva biopolítica.

Leia a matéria na íntegra na CULT 168.